Uma promessa, um testamento, um testador: Jesus Cristo!

Gálatas 3

“15 Irmãos, como homem falo. Se o testamento de um homem for confirmado, ninguém o anula nem lhe acrescenta alguma coisa. 16 Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua posteridade. Não diz: E às posteridades, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua posteridade, que é Cristo. 17 Mas digo isto: que tendo sido o testamento anteriormente confirmado por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não o invalida, de forma a abolir a promessa.”

                Para entendermos esta passagem, antes precisamos conhecer alguns conceitos que nos ajudarão neste estudo.

                Na lei dos homens, uma pessoa pode deixar um testamento, que é um documento onde se estabelece a divisão dos seus bens não só a herdeiros legais, tais como filhos e esposas, mas também a outras pessoas, segundo algumas regras jurídicas.

                Um testamento, para ter validade, é necessário que a pessoa que o fez, tenha sua morte confirmada. Após a morte desta pessoa, fica óbvio que este testamento não será mais alterado pelo seu autor, mas pela justiça dos homens, um testamento pode ser contestado e até anulado, total, ou parcialmente, se o juiz julgar que algumas condições foram violadas. Porém, uma vez confirmado pela autoridade judicial, não se altera nem se anula nada. E foi exatamente isto que o apóstolo Paulo estava explicando no versículo 15.

                Na carta aos Hebreus temos algumas passagens que confirmam estes conceitos até hoje aplicados na lei do homem.

“16 Porque, onde há testamento, necessário é que intervenha a morte do testador. 17 Porque um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive?” (Hebreus 9)

“16 Porque os homens certamente juram por alguém superior a eles, e o juramento para confirmação é, para eles, o fim de toda contenda.” (Hebreus 6)

                Agora temos elementos para entender o que Paulo queria ensinar aos Gálatas e a nós nos versículos seguintes. Logo no versículo 16, o apóstolo fala de promessas feitas a Abraão e a sua posteridade, esta explicitada mais adiante que era Jesus Cristo.  E quais eram estas promessas? Para isto vamos analisar os versículos seguintes em Gênesis 17:

1 Sendo, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o SENHOR a Abrão e disse-lhe: Eu {sou} o Deus Todo-poderoso; anda em minha presença e sê perfeito. 2 E porei o meu concerto entre mim e ti e te multiplicarei grandissimamente. 3 Então, caiu Abrão sobre o seu rosto, e falou Deus com ele, dizendo: 4 Quanto a mim, eis o meu concerto contigo é, e serás o pai de uma multidão de nações. 5 E não se chamará mais o teu nome Abrão, {que significa pai da altura} mas Abraão {que significa pai de uma multidão} será o teu nome; porque por pai da multidão de nações te tenho posto. 6 E te farei frutificar grandissimamente e de ti farei nações, e reis sairão de ti. 7 E estabelecerei o meu concerto entre mim e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, por concerto perpétuo, para te ser a ti por Deus e à tua semente depois de ti. 8 E te darei a ti e à tua semente depois de ti a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão, e ser-lhes-ei o seu Deus.

                Deus havia feito um concerto, uma aliança com Abraão, que ele seria “pai de uma multidão”, do qual descenderiam nações e delas viriam reis. Note que o Senhor fala que este concerto foi estabelecido entre Ele, Abraão e à semente dele, de forma perpétua, ou seja, contínua e para sempre. E este concerto implicaria em um relacionamento eterno onde o Senhor seria o Deus de Abraão e das suas gerações futuras, bem como traria uma herança, a posse perpétua da terra de Canaã.

                Falando agora desta terra de Canaã, especificamente ao povo hebreu, descendente de Abraão, representou de fato uma região habitada por eles, mas ainda não de posse, pois eles eram peregrinos nesta terra. O tempo desta peregrinação representou 430 anos, dos quais 30 anos foi o tempo da revelação da promessa até o nascimento de Isaac, o filho da promessa. Depois foram mais 400 anos que compreendeu o período do cativeiro no Egito até a sua saída, através de Moisés, culminando no estabelecimento da Lei Mosaica por Deus no deserto.

                Agora, porque Paulo fala que a lei não invalidaria o testamento confirmado por Deus, anulando a promessa? Porque conforme vimos nos dois versículos acima em Hebreus, o testamento passa a ter validade após a morte do testador, no caso do povo hebreu, Abraão, o “pai das nações” e porque foi confirmado por Deus, Aquele que é superior a todo homem. A Lei apenas veio para evidenciar a transgressão do povo hebreu e confirmar a necessidade da vinda de Cristo para redimir não só o povo de Deus, mas toda a humanidade. Isto nós podemos evidenciar nos versículos seguintes do nosso estudo:

18 Porque, se a herança {provém} da lei, já não {provém} da promessa; mas Deus, pela promessa, a {deu} gratuitamente a Abraão. 19 Logo, para que {é} a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita, e {foi} posta pelos anjos na mão de um medianeiro. 20 Ora, o medianeiro não o é de um só, mas Deus é um. 21 Logo, a lei {é} contra as promessas de Deus? De nenhuma sorte; porque, se dada fosse uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido pela lei. 22 Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes. 23 Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. 24 De maneira que a lei nos serviu de aio, {ou pedagogo} para {nos conduzir} a Cristo, para que, pela fé, fôssemos justificados.

                E para nós, que não somos descendentes do povo hebreu, qual a “promessa”? Qual a “terra prometida”? Quem é o nosso “testador”?

                Nossa “promessa” é que somos plenos herdeiros de Deus, através de Abraão. Que a nossa “terra prometida” é o evangelho do Reino de Deus, as boas novas pronunciadas por Jesus em sua vida aqui na terra. E o nosso “testador” é o próprio Cristo, Nosso Salvador, aquele que morreu por nossos pecados, para nos dar vida eterna, conforme confirmados nos versículos finais do nosso estudo:

25 Mas, depois que a fé veio, já não estamos debaixo de aio. 26 Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus; 27 porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. 28 Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós {sois} um em Cristo Jesus. 29 E, se {sois} de Cristo, então, sois descendência de Abraão e herdeiros conforme a promessa.

Fiquem na Paz do Senhor!

Fonte da imagem: http://iregistradores.org.br/testamento-revela-sua-vontade-por-marcia-dessen/(2019)

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