Atos 23
6 Contudo, sabendo Paulo que uma parte do Sinédrio se compunha de saduceus e outra de fariseus, bradou diante de todos: “Irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus. Eis que estou sendo julgado por causa da minha esperança na ressurreição dos mortos!” (KJA)
Vamos entender primeiramente o que estava se passando com Paulo nesta passagem, para depois nos aprofundarmos no estudo da mensagem.
Paulo, por conta de suas pregações e ensinamentos da Palavra de Deus, estava sendo levado ao Sinédrio, que era um tribunal supremo da lei judaica, o qual julgava assuntos criminais e administrativos, e representava o povo judeu perante a autoridade romana. Era composto por sacerdotes, anciãos e escribas, mas como vemos no versículo acima, era formado tanto por saduceus como por fariseus, que eram dois grupos religiosos, políticos e econômicos distintos, onde os saduceus afirmavam que não havia ressurreição dos mortos, nem anjos e nem espíritos. Já os fariseus, porém, acreditavam em tudo isso. Isto podemos confirmar na passagem abaixo:
Atos 23: 7 Ao proferir essas palavras, estabeleceu-se uma violenta polêmica entre os fariseus e os saduceus e a assembleia ficou dividida. 8 Porquanto, os saduceus afirmam que não existe ressurreição nem anjos nem espíritos. Os fariseus, porém, acreditam em tudo isso. (KJA)
Note que Paulo, no nosso versículo de estudo, afirma ser fariseu de nascença e que, mesmo assim, estava sendo julgado por parte da assembleia, composta por saduceus, exatamente por defender sua fé e esperança na ressureição dos mortos, que é o princípio base do cristianismo, onde o próprio Jesus Cristo vivenciou isto, e que um dia, todos os seus seguidores também vivenciarão. Além disto, estas palavras de Paulo geraram muita discussão e gritaria entre os judeus ali presentes. Isto confirmarmos a seguir:
Atos 23: 9 Houve, então, muita discussão e gritaria. Alguns dos mestres da lei que eram fariseus se levantaram e começaram a esbravejar: “Não encontramos neste homem mal algum! Quem pode garantir que não foi mesmo um espírito ou anjo que falou com ele?” 10 Diante disso, a discussão se tornou tão acirrada que o comandante teve receio que Paulo fosse estraçalhado pela multidão enfurecida. Então, ordenou que as tropas descessem e o tirassem à força do meio deles e o levassem para a fortaleza. (KJA)
Mas notem um detalhe importante relatado acima. Um comandante romano teve receio que Paulo fosse morto diante do acontecimento e por isso ordenou que suas tropas o protegessem. A razão disto foi porque Paulo além de judeu, tinha a cidadania romana e que, portanto, não poderia ser condenando a prisão ou a morte sem um julgamento prévio, conforme podemos confirmar abaixo:
Atos 23: 3 Então Paulo declarou: “Sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade. Fui educado rigorosamente na Lei de nossos antepassados, aos pés de Gamaliel, sendo tão zeloso por Deus, assim como estais sendo vós neste dia. (KJA)
25 Enquanto o amarravam para dar início aos açoites, Paulo perguntou ao centurião que ali estava: “A lei vos permite flagelar um cidadão romano, sem que este tenha sido condenado?” 26 Assim que ouviu isso, o centurião correu até o comandante e o preveniu: “O que estás fazendo? Esse homem é cidadão romano!” (KJA)
E é aqui que começa o nosso estudo. Vejam que Paulo tinha uma dupla cidadania que lhe conferiria direitos perante a lei vigente de cada uma delas, e de forma semelhante, todo aquele que é nascido de Deus, ou seja, aceitou Jesus Cristo como seu único e suficiente salvador, passa a ter também direitos de uma segunda cidadania.
Mas como assim, você pode perguntar? Uma dupla cidadania dada aos filhos de Deus? E aí vou lhes explicar.
Todos nós nascemos em um país e, por isso, passamos a ter uma nacionalidade, uma cidadania, correto? Mas só que também podemos receber uma segunda cidadania, esta pertencente a um Reino Celestial, um reino que não pertence a este mundo.
Quando Jesus foi entregue a Pilatos pelo seu próprio povo, para que fosse julgado por uma heresia que eles diziam, por Ele afirmar que era o Messias, notem que Jesus declara que o seu reino não pertencia a este mundo, porque se o fosse, os seus servos o defenderiam, como podemos confirmar abaixo:
João 18: 33 Então Pilatos entrou novamente no Pretório, chamou a Jesus e interrogou-lhe: “És tu o rei dos judeus?” 34 Jesus lhe respondeu: “Essa questão é tua, ou outros te falaram a meu respeito?” 35 Replicou-lhe Pilatos: “Porventura sou judeu? A tua própria gente e os chefes dos sacerdotes é que te entregaram a mim. Que fizeste?” 36 Ao que lhe afirmou Jesus: “Meu Reino não é deste mundo. Se fosse, os meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem. Mas, agora, meu Reino não é daqui.” (KJA)
Além disto, todo aquele que é testificado pelo Espírito Santo, este é chamado de filho de Deus, como Jesus Cristo também é, e assim, passamos, junto com Ele, a sermos herdeiros de um Rei Celestial, ou seja, passamos a ser cidadãos de um Reino dos Céus, e assim recebemos uma segunda cidadania, que nos confere direitos no mundo espiritual. Isso comprovamos na passagem abaixo:
Romanos 8: 16 O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus. 17 Se somos filhos, então, também somos herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se realmente participamos dos seus sofrimentos para que, da mesma maneira, participemos da sua glória. (KJA)
Por isso, diante de qualquer acusação no mundo espiritual podemos exercer este direito de filho de Deus, de cidadão dos Céus, conforme a passagem abaixo:
Romanos 8: 28 Estamos certos de que Deus age em todas as coisas com o fim de beneficiar todos os que o amam, dos que foram chamados conforme seu plano. 29 Porquanto, aqueles que antecipadamente conheceu, também os predestinou para serem semelhantes à imagem do seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos. 30 E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes igualmente justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou. 31 A que conclusão, pois, chegamos diante desses fatos? Se Deus é por nós, quem será contra nós? 32 Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos concederá juntamente com Ele, gratuitamente, todas as demais coisas? 33 Quem poderá trazer alguma acusação sobre os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica! 34 Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, Ele ressuscitou dentre os mortos e está à direita de Deus, e também intercede a nosso favor. 35 Quem nos separará do amor de Cristo? Será a tribulação, ou ansiedade, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? 36 Como está escrito: “Por amor de ti somos entregues à morte todos os dias; fomos considerados como ovelhas para o matadouro”. 37 Contudo, em todas as coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. 38 Portanto, estou seguro de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, 39 nem altura nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá nos afastar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. (KJA)
E foi por isso que Paulo não temeu diante das acusações e todas as injúrias que passou, pois sabia que Jesus estava a seu lado e que era preciso dar o testemunho de Cristo ao mundo, conforme as próprias palavras do Senhor:
Atos 23: 11 Na noite seguinte, o Senhor surgiu ao lado de Paulo e lhe afirmou: “Sê corajoso! Assim como deste testemunho da minha pessoa em Jerusalém, deverá de igual modo testemunhar em Roma”. (KJA)
Fiquem na Paz do Senhor!
Fonte da imagem: https://palavraempratica.com.br/o-verdadeiro-cidadao-do-ceu-salmos-15/ (janeiro/2025)
