Não olhe para um instante, mas para toda uma existência!

Salmos 37

25 Fui moço e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão.

Esta passagem extraída de um salmo escrito por Davi nos mostrará que se olharmos isoladamente por um versículo e não para o contexto a que ele se insere, podemos ter uma compreensão incompleta ou até mesmo errada do que Deus está querendo verdadeiramente nos dizer.

Vamos olhar inicialmente para a primeira parte do versículo onde fala: “Fui moço e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo,…”. Note aqui que Davi estava dizendo que em toda a sua vida, que segundo teólogos e historiadores, foi cerca de 70 anos, ele jamais havia visto um justo desamparado. Nós já estudamos em outras mensagens e aprendemos que o justo é aquele que vive realmente a Palavra de Deus, e não que seja alguém perfeito, que não tenha nenhuma culpa. Se olharmos em Romanos 3:9-10 encontramos: “9 Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado, 10 como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. “, mostrando que todos nós um dia estivemos sob a ação do pecado e que se não vivermos a Justiça de Deus, podemos vir a transgredir a sua Verdade. A questão aqui de fato é se decidimos ou não permanecer no erro, e isso é que determina a diferença entre o justo e o ímpio, aquele que não tem apego a Palavra de Deus.

Vamos pegar o exemplo de Moisés, no Antigo Testamento, em Números 20:11-12: “11 Então, Moisés levantou a sua mão e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e saíram muitas águas; e bebeu a congregação e os seus animais. 12 E o SENHOR disse a Moisés e a Arão: Porquanto não me crestes a mim, para me santificar diante dos filhos de Israel, por isso não metereis esta congregação na terra que lhes tenho dado. “. Nós sabemos que Moises foi um grande servo do Senhor e que, portanto, podemos dizer que ele se encaixava perfeitamente na definição de justo, mas por um momento, ele falhou desobedecendo à ordem de Deus, o que lhe custou à perda do direito de entrar na terra da promessa. Ai eu pergunto: Moisés ficou desemparado por Deus? Então eu trago a passagem de Mateus 17:1-3: “1 Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte. 2 E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz. 3 E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. “. Não há dúvida aqui que Moises não perdeu a sua salvação, apesar de ter falhado algumas vezes com o Senhor, mostrando aqui que mesmo sendo imperfeito, vivia a Justiça de Deus e, por isso, não ficou desamparado por Ele.

Agora vamos pegar o exemplo de Lázaro, o mendigo, no Novo Testamento, em Lucas 16:23-25: “23 E, no Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão e Lázaro, no seu seio. 24 E, clamando, disse: Abraão, meu pai, tem misericórdia de mim e manda a Lázaro que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. 25 Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro, somente males; e, agora, este é consolado, e tu, atormentado. “. Note, nesta passagem, que Lázaro havia sofrido muito na sua vida, mas certamente, pela Justiça de Deus, era considerado justo e que, portanto, não tinha sido desamparado ao deixar esta vida.

Por fim, vamos pegar o exemplo de Jesus, visto em Mateus 27:46: “46 E, perto da hora nona, exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lemá sabactâni, isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”. Não preciso me esforçar para provar que Jesus Cristo foi o Único e Verdadeiro Justo que passou aqui nesta terra. A sua vida toda foi pautada na Palavra de Deus e Ele sim podemos dizer que foi perfeito e sem culpa, mais do que se classificando como justo, como podemos ver em Filipenses 2:5-11: “5 Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, 6 o qual, tendo plenamente a natureza de Deus, não reivindicou o ser igual a Deus, 7 mas, pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo plenamente a forma de servo e tornando-se semelhante aos seres humanos. 8 Assim, na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, entregando-se à obediência até a morte, e morte de cruz. 9 Por isso, Deus também o exaltou sobremaneira à mais elevada posição e lhe deu o Nome que está acima de qualquer outro nome; 10 para que ao Nome de Jesus se dobre todo joelho, dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra, 11 e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai. (KJA)”. E aí você pergunta: mas Jesus sendo justo foi desamparado por Deus? Eu te respondo: Jesus naquele momento foi desemparado por Deus porque sobre Ele caiu todos os nossos pecados e que, portanto, não poderia ter a Presença Santa de Deus naquele dado instante. Mas Jesus Cristo não ficaria desamparado porque a Justiça de Deus prevaleceu a todo o momento em Sua Vida aqui na terra como acabamos de ver acima em Filipenses.

Agora vamos entender a parte final do nosso versículo de estudo que fala: “… nem a sua descendência a mendigar o pão.”. Note que em nenhum momento o salmista disse que o justo não passaria por dificuldades. Veja o que ele fala nos dois versículos anteriores: “23 Os passos de um homem bom são confirmados pelo SENHOR, e ele deleita-se no seu caminho. 24 Ainda que caia, não ficará prostrado, pois o SENHOR o sustém com a sua mão..

Se olharmos os nossos exemplos de justos, Moisés passou por grandes dificuldades em sua vida, diga-se de passagem, 2/3 dela no deserto, onde acabou morrendo. Lázaro, o mendigo, nem precisa de muitos detalhes, pois acabou morrendo doente e na pobreza. Não temos detalhes na Bíblia de qual foi o destino dos dois filhos de Moises, nem tão pouco sabemos se Lázaro deixou descendentes. Então você pode pensar: há uma contradição nesta passagem ou algo esta sendo omitido? É ai que eu reafirmo que não podemos olhar isoladamente para um versículo, mas sim para o contexto como um todo.

Se continuarmos no versículo 26, encontramos: “26 Compadece-se sempre, e empresta, e a sua descendência é abençoada.. Vejam que o salmista fala de duas coisas fundamentais na vida do justo: compaixão e renúncia. Se nos compadecermos pelo nosso próximo e buscarmos ajudá-lo através da renúncia de algo que possuímos, porque emprestar e abrir mão de algo, mesmo que por um determinado tempo, em favor do outro, estamos vivendo verdadeiramente a Palavra de Deus. E é ai que temos que somente olhar para o Grande Exemplo de Justo, o Nosso Jesus Cristo.

Jesus sempre se compadecia do seu próximo e Ele próprio foi o maior exemplo de renúncia, dando a Sua Vida por todos nós. Cristo não deixou também descendentes, mas Ele próprio era o Filho Unigênito de Deus, e pela Sua Obra Redentora nos fez também, filhos do Senhor, como podemos ver em Romanos 8:14-18: “14 Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.15 Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. 16 O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. 17 E, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados. 18 Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.”.

Assim, meus amados, eu concluo que não devemos olhar para as aflições deste mundo e acharmos que somos injustiçados e que estamos desamparados por Deus. Olhe somente para o Verdadeiro Justo, Jesus Cristo, seja compassivo e renuncie a tudo que possa o distanciar da Presença de Deus, pois assim você estará, através do seu próprio testemunho de vida, abençoando não só a sua descendência, mas a todos que fizerem parte do seu caminhar.

Fonte da imagem: http://www.literaturateologica.com.br/2014/07/o-rico-e-o-mendigo-lazaro-realidade.html (2017)

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