Sejamos coerentes no falar e no agir!

Mateus 5

37 Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna.

Esta passagem foi extraída do conhecido “Sermão da Montanha” onde Jesus Cristo deixou-nos importantíssimos ensinamentos que, infelizmente até hoje, são mal interpretados ou confundidos.

Jesus Cristo estava falando aqui especificamente sobre os juramentos e a questão da nossa palavra, não só em relação às coisas deste mundo, mas principalmente aos nossos compromissos com Deus.

Vamos voltar ao versículo 33 para entender isto melhor. Jesus fala: “Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor.”, mostrando que no Antigo Testamento, na Lei enviada por Deus à Moisés era licito e prática normal os juramentos ao Senhor, porém a questão principal aqui era a de compromisso e honra perante a Deus. Vamos nos recorrer a algumas passagens que evidenciam isto.

Em Deuteronômio 23:23, a Lei determinava: “O que saiu da tua boca guardarás e o farás, mesmo a oferta voluntária, assim como votaste ao SENHOR, teu Deus, e o declaraste pela tua boca. “, mostrando a observância do mandamento sobre seus votos e promessas ao Senhor. Também encontramos outra referência a tal em Números 30:2: “Quando um homem fizer voto ao SENHOR ou fizer juramento, ligando a sua alma com obrigação, não violará a sua palavra; segundo tudo o que saiu da sua boca, fará. “.

Mas Jesus Cristo não para por ai. Veja o que Ele diz nos versículos 34 ao 36: “34 Eu, porém, vos digo que, de maneira nenhuma, jureis nem pelo céu, porque é o trono de Deus, 35 nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés, nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei, 36 nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. “.

E ai vem a pergunta: então jurar é proibido ou é pecado? Jesus estava anulando a Lei do Antigo Testamento? Note que o próprio Jesus Cristo diz neste Sermão, em Mateus 5:17: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir.“. E era exatamente isto que Jesus veio fazer, cumprir toda a lei. Jesus em hipótese alguma estava se contradizendo, e vamos examinar um pouco mais da Lei Mosaica para entender Suas Palavras.

Em Êxodo 20:7 a Lei dizia: “Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão. “, mostrando o que Jesus estava ensinando de jamais colocar as coisas sagradas como garantia de seus juramentos e promessas. Em Levítico 19:12 também encontramos: “nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus. Eu sou o SENHOR. “, advertindo que os falsos juramentos em nome do Senhor é uma violação, um total desrespeito do que é sagrado. E novamente, em Deuteronômio 5:11: “Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente ao que tomar o seu nome em vão. “, destacando a gravidade e consequências desta prática.

Jesus também diz que não devemos jurar pela nossa cabeça, ou seja, por nós mesmos, pois não temos controle nem mesmo sobre nossas vidas, como Ele próprio diz em Mateus 6:27: “E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? “, e que portanto não podemos nos colocar como garantia de nossa palavra.

Mas porque Jesus Cristo estava advertindo ao povo desta prática se fazia parte da Lei e era lícito? Vamos então recorrer a uma passagem em Tiago 5:12: “Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis nem pelo céu nem pela terra, nem façais qualquer outro juramento; mas que a vossa palavra seja sim, sim e não, não, para que não caiais em condenação. “. Vejam que Tiago acrescenta uma razão a qual não encontramos no versículo do estudo, que é para que não sejamos condenados.

É comum vermos em filmes a prática de em um tribunal de justiça, o réu e as testemunhas jurarem com a mão direita sobre a bíblia, prometendo dizer a verdade. Se olharmos o nosso estudo, vemos que esta prática foi advertida por Jesus. No Brasil, a lei diz que a pessoa depõe “sob palavra de honra” (CPP artigo 203) e se “compromete dizer a verdade, sob pena de incorrer em crime de falso testemunho.” (CP artigo 342).

Novamente eu reafirmo. Jesus não estava se contradizendo, pois não queria condenar ninguém, mas sim trazer a salvação, como Ele diz em João 12:47: “E, se alguém ouvir as minhas palavras e não crer, eu não o julgo, porque eu vim não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. “.

E por fim, Jesus deixa um ensinamento importante. Quando Ele diz que o nosso falar dever ser sim, sim; não, não, é por que está nos mostrando que o nosso agir tem que ser coerente ao nosso falar e que somente a verdade deve permanecer em nossas vidas, por que a mentira, a falsidade, a desonestidade, a desonra, a infidelidade são provenientes do mal, como Ele diz em João 8:44: “Vós tendes por pai ao diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. “.

Fonte da imagem: http://videiraporto.blogspot.com.br/2013/09/abandone-mentira.html (2017)

Fiquem na Paz do Senhor!

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