O Perdão se recebe com o perdão que se dá!

Mateus 18

32 Então, o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. 33 Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?

                      A passagem acima foi extraída de uma parábola de Jesus Cristo conhecida como “A parábola do credor incompassivo” e o contexto em que ela se encontra foi quando Pedro pergunta a Jesus até quantas vezes devemos perdoar alguém que nos tenha ofendido. Pedro imaginou sete vezes, número que representa a Perfeição de Deus, mas Jesus disse para perdoar 70 vezes 7, ou seja 490 vezes.

                     É claro que Jesus não estava definido um número exato de vezes que devemos perdoar alguém, mas sim, mostrando que sempre devemos perdoar quem nos tenha ofendido. Este momento foi descrito em Mateus 18:21-22: “Então, Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe disse: Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete. “.

                    E porque Jesus contou esta parábola para enfatizar a questão do perdão? Antes de tentarmos dar uma resposta para tal pergunta, vamos estudar um pouco esta mensagem.

                    Nos versículos 23 ao 27 temos: “Por isso, o Reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos; e, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos. E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher, e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse. Então, aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Então, o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida.“.

                   Jesus então começa a parábola comparando o Reino dos céus, ou seja, o Reino de Deus, com um rei que decide prestar contas das dívidas dos seus servos. E eis que um deles devia 10.000 talentos. Para se ter ideia deste valor hoje, veja a conta abaixo:

1 talento = 6.000 denários

1 denário = 1 dia de trabalho

Salário Mínimo = 900 reais (aproximadamente)

1 dia de trabalho = 900 / 30 = 30 reais

Assim,

10.000 talentos = 10.000 x 6.000 x 30 = 1 bilhão e 800 milhões reais (valor estimado)

                No tempo da Lei de Moisés, quando alguém não podia pagar sua dívida, a sua família era escravizada pelo credor para pagá-la com serviços, como vemos um caso em II Reis 4:1: “E uma mulher das mulheres dos filhos dos profetas, clamou a Eliseu dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que o teu servo temia ao SENHOR; e veio o credor a levar-me os meus dois filhos para serem servos.“.

                Notem que a dívida tinha um valor extremamente alto e o rei sabia que seu servo não poderia pagar, determinando assim que sua família fosse vendida. Diante disto, o servo clamou por misericórdia ao seu rei, dizendo-o até que iria pagá-lo por tudo.

                Mais a frente, nos versículos 28 ao 30, temos: “Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves. Então, o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Ele, porém, não quis; antes, foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. “.

                Vemos que aquele servo, cujo seu rei havia sido misericordioso com ele perdoando suas dívidas, não agiu da mesma maneira como seu irmão. Note que se calcularmos a dívida para valores atuais, o valor seria de aproximadamente 3.000 reais. É claro que a questão de valores pouco importa nesta mensagem, mas sim a questão do perdão e da Justiça Divina. O servo além de não ser generoso com seu irmão, impediu-o dele pagar a dívida, pois estando ele preso, como poderia trabalhar e saldar sua obrigação?

              E ai, qual foi a consequência da prática injusta do servo com seu irmão? Nos versículos 32 e 33 vimos que o rei tomou conhecimento do acontecido e como punição sentenciou a mesma pena que este havia dado ao seu irmão. Podemos comprovar isto no versículo 34: “E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia. “. Se buscarmos em uma versão em grego, encontramos a palavra “atormentador” como “carrasco” ou “guarda de prisão”.

              Agora vamos voltar a nossa pergunta e tentar compreender o que Jesus queria realmente mostrar com esta parábola. Fica o registro de que é uma opinião pessoal, com base no que tenho aprendido na Palavra, e que cada um busque a seu entendimento com Deus.

              O Reino dos céus, que é o Reino de Deus, não é este mundo que vivemos, como Jesus disse a Pilatos em João 18:36: “Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo; se o meu Reino fosse deste mundo, lutariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas, agora, o meu Reino não é daqui. “, mas há um elo, uma ligação entre o céu e a terra, que Jesus nos ensina em Mateus 18:18: “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. “.

             Nós tínhamos uma dívida imensa com Deus que não podíamos pagar, como vemos em Romanos 3:23: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, “, mas pela Misericórdia de Deus, fomos comprados por um altíssimo preço, não por coisas deste mundo, mas pelo Sangue de Jesus Cristo, como vemos em I Pedro1:18-19: “sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, “.

            O que Jesus Cristo fez aqui na terra foi o maior ato de misericórdia que podemos imaginar, e isto se ligou no céu, com o Perdão de Deus sobre nossas dívidas. E é isto que Ele espera que façamos com todos aqueles que nos ofendem, quando nos ensinou os dois grandes mandamento da Lei de Deus, visto em Marcos 12:30-31: “Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. “.

             Agora, se não perdoarmos aqueles que nos ofendem, automaticamente estamos violando estas duas leis, porque a falta de compaixão pelo nosso próximo demonstra a falta de amor por este e que traz a prova da ausência de temor a Deus. Veja o que a Palavra nos fala I João 4:20-21: “Se alguém diz: Eu amo a Deus e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também seu irmão. “.

Fonte da imagem: https://setimodia.wordpress.com/2011/03/01/como-e-alcancado-o-perdao-a-parabola-do-credor-incompassivo/ (2016)

Fiquem na Paz do Senhor!

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