Gênesis 14
18 E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e este era sacerdote do Deus Altíssimo. 19 E abençoou-o e disse: Bendito seja Abrão do Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; 20 e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E deu-lhe o dízimo de tudo.
Nesta mensagem vamos mostrar dentro da própria Sagrada Escritura, alguns registros históricos sobre a prática do dízimo. Não tenho a pretensão de abordar toda uma discussão sobre esta prática, amplamente debatida não só fora da igreja, como também dentro dela, mas sim apresentar alguns testemunhos bíblicos para uma análise particular sincera e desprovida de preconceitos.
A passagem acima de Gênesis relata o primeiro registro de dízimo na Bíblia, que foi praticado por Abrão, decorrente de um acontecimento que passaremos a conhecer.
Foi no tempo em que Abrão havia saído de Harã, conforme ordem de Deus, para ir a uma nova terra, como vemos em Gênesis 12:1: “Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.“. Lá seguiu Abrão levando consigo seu sobrinho Ló, como vem nos versículo 5: “E tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e toda a sua fazenda, que haviam adquirido, e as almas que lhe acresceram em Harã; e saíram para irem à terra de Canaã; e vieram à terra de Canaã.”
Mais a frente, neste período, ocorreu um guerra entre os inimigos de Sodoma e Gomorra, região onde Ló e seus pastores haviam escolhido após sua separação de Abrão, como vimos em Genesis 13:12: “Habitou Abrão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da campina e armou as suas tendas até Sodoma. “. Em virtude desta guerra, Ló foi levado cativo com todos os seus bens, conforme Genesis 14:12: “Também tomaram a Ló, que habitava em Sodoma, filho do irmão de Abrão, e a sua fazenda e foram-se. “
Quando soube deste ocorrido, Abrão decidiu ir à busca de sua família, como vemos no versículo 14: “Ouvindo, pois, Abrão que o seu irmão estava preso, armou os seus criados, nascidos em sua casa, trezentos e dezoito, e os perseguiu até Dã.”, e conseguindo a vitória sobre seus inimigos, como vemos no versículo 16: “tornou a trazer toda a fazenda e tornou a trazer também a Ló, seu irmão, e a sua fazenda, e também as mulheres, e o povo. “.
Depois deste acontecimento, sem nenhuma conexão direta, surge Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote de Deus, apresentado no nosso versículo de estudo. Deste rei e sacerdote não temos registros na Bíblia anteriores a esta passagem, mas temos referências, principalmente na epístola aos Hebreus, cujo autor é desconhecido, declarando que Jesus Cristo é nosso sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque, visto em Hebreus 5:5-6: “Assim, também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas glorificou aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, hoje te gerei. Como também diz noutro lugar: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque.”.
E as semelhanças a Cristo não param por aí. O nome Melquisedeque significa “meu rei é justiça” e na nossa passagem diz que ele era “sacerdote do Deus Altíssimo”, o que nos leva a concluir que o Deus de Melquisedeque, seu Rei, era justo. Jesus Cristo, como sacerdote eterno de Deus disse em Mateus 6:33: “Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. “, trazendo uma evidência desta semelhança.
Melquisedeque trouxe pão e vinho, como uma celebração a Vitória de Deus sobre os seus inimigos, abençoando Abrão e glorificando a Deus. Jesus Cristo, na sua última ceia com seus discípulos repete o mesmo gesto como vemos em Mateus 26:26-29: “Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. E, tomando o cálice e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos. Porque isto é o meu sangue, o sangue do Novo ou Novo Concerto Testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados. E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide até àquele Dia em que o beba de novo convosco no Reino de meu Pai. “.
Antes de falarmos sobre razões que levaram a Abrão dizimar, vamos ver mais a frente com Moisés sobre o dízimo instituído por Deus como mandamento para o seu povo. Por isso vamos olhar em Deuteronômio 14:22-23: “Certamente darás os dízimos de toda a novidade da tua semente, que cada ano se recolher do campo. E, perante o SENHOR, teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu cereal, do teu mosto, do teu azeite e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao SENHOR, teu Deus, todos os dias. “. Nesta passagem mostra que o dízimo era uma oferta a Deus para ensinar ao seu povo o temor, o respeito a Ele.
Seguindo, nos versículos 28 e 29, temos: “Ao fim de três anos, tirarás todos os dízimos da tua novidade no mesmo ano e os recolherás nas tuas portas. Então, virá o levita (pois nem parte nem herança tem contigo), e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão, para que o SENHOR, teu Deus, te abençoe em toda a obra das tuas mãos, que fizeres.“, demonstrando que o dízimo tinha um papel assistencial àqueles que cuidavam exclusivamente da Obra de Deus (o levita) e os mais necessitados (estrangeiros, órfãos e viúvas), trazendo como consequência da obediência, bênçãos sobre o seu trabalho.
E no Novo Testamento, o que encontramos sobre o dízimo? O próprio Jesus Cristo fala em Mateus 23:23:“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer essas coisas e não omitir aquelas. “, demonstrando que o dízimo não havia sido revogado, pelo seguinte motivo: a Obra de Deus não havia sido interrompida e precisava ser mantida por aqueles que a faziam, conforme Paulo escreveu em I Coríntios 9:13-14: “Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar participam do altar? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho.”.
Com tudo isto, podemos agora falar do dízimo de Abrão. Ele não conhecia a Lei de Moisés, pois ela ainda não havia sida escrita, muito menos os ensinamentos de Jesus Cristo, pois o mesmo só viria ao mundo cerca de 2.000 anos depois, mas mesmo assim, o seu ato de dizimar atendia as razões que Deus haveria de determinar sobre esta prática: seu temor a Deus foi demonstrado na forma de gratidão pelo que o Senhor havia feito, a assistência ao sacerdócio, pois Melquisedeque assim era considerado e o dízimo foi entregue a ele e por ele foi abençoado, o reconhecimento da Soberania e Justiça de Deus sobre sua vida, a misericórdia sobre o seu sobrinho Ló, mesmo este tendo contendido como ele e, principalmente a fé, pois obedeceu a Deus, sem conhecer a terra para onde iria e saber que lá receberia uma Grande Promessa.
Fonte da imagem: https://www.lds.org/manual/doctrine-and-covenants-and-church-history-study-guide-for-home-study-seminary-students-2014/section-05/unit-23-day-1-doctrine-and-covenants-106-107-1-20?lang=eng (2016)
Fiquem na Paz do Senhor!

Muito forte meu amigo , um grande abraço
Pr Esdras Santos .
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Que Deus o abençoe grandemente no seu ministério. Abraços e fique na Paz do Senhor!
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