João 15
15 Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos dei a conhecer.
Jesus Cristo, antes de sua partida do mundo, deixou aos seus discípulos suas últimas instruções e, particularmente, uma das mais preciosas, foi o mandamento de se amar uns aos outros, como verdadeiros amigos, como Ele próprio os amou. Cristo, na posição de Senhor que Ele tinha, não queria mais chamar seus seguidores de servos, mas sim, queria estreitar mais ainda sua relação, chamando-os de amigos. Ele tinha revelado aos seus discípulos tudo o que Deus o havia falado, porém, para que estes fossem chamados de seus amigos havia uma condição. Eles tinham que fazer tudo o que Ele havia ensinado durante sua vida. Isto podemos confirmar na seguinte passagem de João 15:12-14: “O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. “.
Mas o que realmente significa este amor e como podemos praticá-lo?
Quando Cristo declarou que a maior prova de amor é aquela onde alguém dá a sua própria vida por alguém, Ele queria dizer que este estágio já havia sido alcançado por Ele mesmo, e não dizer que deveríamos fazer o mesmo, no sentido real da palavra. Veja o que encontramos em I João 3:16-18: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e nós devemos dar a vida pelos irmãos. Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitando, lhe fechar o seu coração, como permanece nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade. “.
Deus via que a sua criação esta morrendo, se distanciando de Sua presença, por conta de suas más obras, mas Ele era o único capaz de livrar o homem desta morte, abrindo o seu coração de tal forma, e cumprindo sua Obra Redentora através de Seu Filho. Isto podemos confirmar em João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. “. Agora Deus espera que hajamos de semelhante compaixão, abrindo mão daquilo que não nos fará falta, mas que poderá socorrer um irmão necessitado, manifestando o Seu amor em cada um de nós.
E agora, o que Cristo quis nos dizer que, ao obedecermos a Ele, nos tornaremos Seu amigo e Ele nos revelará tudo o que Deus o revelou, ou seja, a sua Palavra?
Quem tem um verdadeiro amigo, conhece os seus planos, confia e segue seus conselhos. No Antigo Testamento, temos o exemplo de um grande amigo de Deus: Abraão, que podemos comprovar em Tiago 2:21-23: “Ora, não foi Abraão, nosso pai na fé, justificado por obras, quando ofereceu seu próprio filho Isaque sobre o altar? Vês dessa forma que tanto a fé como as obras estavam agindo juntas, e a fé foi aperfeiçoada pelas obras. Cumpriu-se, assim, a Escritura que declara: “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça”, e ele foi chamado amigo de Deus. “.
Vamos entender isso em Genesis 22:1-14: “Sucedeu, depois destas coisas, que Deus provou a Abraão, dizendo-lhe: Abraão! E este respondeu: Eis-me aqui. Prosseguiu Deus: Toma agora teu filho; o teu único filho, Isaque, a quem amas; vai à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre um dos montes que te hei de mostrar. Levantou-se, pois, Abraão de manhã cedo, albardou o seu jumento, e tomou consigo dois de seus moços e Isaque, seu filho; e, tendo cortado lenha para o holocausto, partiu para ir ao lugar que Deus lhe dissera. Ao terceiro dia levantou Abraão os olhos, e viu o lugar de longe. E disse Abraão a seus moços: Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o mancebo iremos até lá; depois de adorarmos, voltaremos a vós; Tomou, pois, Abraão a lenha do holocausto e a pôs sobre Isaque, seu filho; tomou também na mão o fogo e o cutelo, e foram caminhando juntos. Então disse Isaque a Abraão, seu pai: Meu pai! Respondeu Abraão: Eis-me aqui, meu filho! Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? Respondeu Abraão: Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho. E os dois iam caminhando juntos. Havendo eles chegado ao lugar que Deus lhe dissera, edificou Abraão ali o altar e pôs a lenha em ordem; o amarrou, a Isaque, seu filho, e o deitou sobre o altar em cima da lenha. E, estendendo a mão, pegou no cutelo para imolar a seu filho. Mas o anjo do Senhor lhe bradou desde o céu, e disse: Abraão, Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui. Então disse o anjo: Não estendas a mão sobre o mancebo, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, visto que não me negaste teu filho, o teu único filho. Nisso levantou Abraão os olhos e olhou, e eis atrás de si um carneiro embaraçado pelos chifres no mato; e foi Abraão, tomou o carneiro e o ofereceu em holocausto em lugar de seu filho. Pelo que chamou Abraão àquele lugar Jeová-Jiré; donde se diz até o dia de hoje: No monte do Senhor se proverá. “.
Esta passagem não revela detalhes do que Abraão deva ter pensado quando Deus o ordenou que sacrificasse o seu filho único Isaque, o filho da Promessa, mas revela fatos que comprovam a obediência deste Seu servo. Além disto, não conseguimos dizer se Abraão tinha a consciência do que Deus estava lhe revelando, que era o Seu Plano de Salvação para a humanidade, através do Seu Filho Jesus Cristo, mas podemos dizer que Deus não mais o considerava como servo, mas como um verdadeiro amigo que podia confiar, até aquele momento, os seus segredos. E esta relação somente se deu, por conta de qualidades que Abraão, agora como amigo de Deus, demonstrou como veremos a seguir:
- Determinação: “Levantou-se, pois, Abraão de manhã cedo…”. Como disse, não dá para saber o que Abraão pensou e sentiu, mas com esta passagem, mostra que logo no dia seguinte e de manhã bem cedo, Abraão estava determinado a obedecer a Ordem de Deus.
- Confiança: “depois de adorarmos, voltaremos a vós.”. Abraão não disse que ia sacrificar seu filho, disse que ia adorar o Senhor, e disse que voltariam os dois e não sozinho. Ele não mentiu, mas sim demonstrou que confiava em Deus e sabia que Ele não iria deixar de cumprir Sua Promessa.
- Mansidão: “Meu pai! Respondeu Abraão: Eis-me aqui, meu filho!”. Diante de uma tremenda provação, Abrão não se demonstrou revoltado, irado, mas sim agiu com ternura ao falar com seu filho.
- Fé: “Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho”. Abraão sabia que Deus proveria a oferta de sacrifício e que esta não seria o seu filho. Ele não estava tentando se iludir ou mentindo para o filho. Ele estava colocando sua fé no Senhor em ação.
- Obediência: “E, estendendo a mão, pegou no cutelo para imolar a seu filho.”. Exatamente como Deus havia ordenado assim Abraão iria executar, mostrando que tinha compromisso e respeito a Deus.
Agora, amado leitor, longe de dizer que Deus irá nos submeter a uma provação semelhante à de Abraão, mas qual seria nosso comportamento diante de uma dificuldade na nossa vida? Será que teríamos a determinação de Abraão, ou ficaríamos adiando uma ação? Já declararíamos a derrota, ou assumiremos uma posição de vitoriosos? Agiremos com revolta, impaciência, inconformismo, ou adotaremos uma postura branda e de autocontrole? Vamos dizer que não tem solução, ou vamos acreditar que Deus proverá? E finalmente, vamos fazer do nosso jeito, ou fazer conforme a Vontade de Deus, que já foi toda revelada através de Sua Palavra?
Cristo já disse que quer ser Nosso Amigo e você já aceitou sua amizade?
Fonte da imagem: http://parnaibagrande.blogspot.com.br/2011/12/estender-mao.html (2016)
Fiquem na Paz do Senhor!
