Buscando a dracma perdida!

Lucas 15

8 Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar? 9 E, achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. 10 Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.

Neste capitulo do Evangelho de Lucas, encontramos três parábolas muito conhecidas: “A Parábola da Ovelha Perdida”, “A Parábola da Dracma Perdida” e “A Parábola do Filho Pródigo”.  Estas parábolas foram contadas por Jesus, quando certos fariseus e escribas murmuravam contra Ele, porque recebia pecadores e comia com eles, como vimos no versículo 2: “E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles.

Jesus queria, através de cada uma destas parábolas, mostrar a preocupação que Ele, o Filho de Deus, o Espírito Santo, e o próprio Pai tinham com aqueles que estavam longe da sua proteção, sob trevas e a sujeira do mundo, perdidos e sofrendo as misérias de uma vida destruída.

Enquanto o homem classificava aqueles que não obedeciam a Lei de Deus de pecadores, Jesus os comparava a ovelhas perdidas, a moedas de importante valor e a filhos pródigos, demonstrando o seu amor incondicional a todos estes, e sua incessante busca por salvá-los, resgatá-los, trazê-los de volta a proteção de Deus.

Na nossa mensagem, estudaremos particularmente “A Parábola da Dracma Perdida” e, para isto, precisamos entender algumas coisas antes.

A dracma era uma moeda usada na Antiga Grécia e que representava o valor de um dia de trabalho de um trabalhador braçal. Independente do valor real que possa representar, quem trabalhou um dia inteiro para receber esta moeda, certamente dava uma grande importância a este, pois representava a recompensa pelo seu esforço de um dia de trabalho.

No versículo 8, onde se inicia esta parábola, Jesus disse que uma mulher tinha dez dracmas, mas que em um dado momento, havia perdido uma delas. Não sabemos se era tudo o que esta mulher tinha, porém mais a frente veremos que representava algo de grande valor para ela. E certamente Jesus queria enfatizar a importância daquilo que havia se perdido para aquela mulher, e o valor que representava a ela.

Como Jesus falava em parábolas, visando comparar situações do cotidiano do povo, para trazer um ensinamento, vamos imaginar que as dez dracmas possam ser comparadas a “valores” que temos em nossa vida, e que, se perdermos apenas um deles, é como se tivéssemos perdido todos os demais, nos levando a uma busca incessante, até reencontrá-lo.

Em João 6:39, Jesus disse: “E a vontade do Pai, que me enviou, é esta: que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último Dia. “, demonstrando porque Ele tanto se preocupava com os “perdidos” deste mundo. Deus havia entregado cada um de nós ao seu Filho Jesus, mas em troca, Cristo pagaria um altíssimo preço, a sua própria vida, e é por este motivo que temos um valor incalculável para Ele. É desta maneira, que Jesus espera que cada um de nós cuide dos seus “valores”, jamais os deixando se perder no mundo.

Continuando na parábola, podemos perceber que o que a mulher perdeu, estava dentro da sua casa, que era o local onde ela buscava. E aí eu pergunto a você, amado leitor, qual o seu maior “valor” dentro da sua casa? Vou responder por mim: a minha família!

Quando eu era solteiro, minha família era meu pai, minha mãe e meu irmão mais velho. Aos olhos do mundo, éramos uma família “perfeita”, mais dentro das quatro paredes, as coisas não eram bem assim. Eu, por ser o mais novo, não tinha muita consciência do que realmente acontecia, mas isto também não me isentava de alguma responsabilidade, pois já tinha meus 20 anos, e não poderia me considerar mais criança. Meu irmão tinha por volta de 27 anos e alguns anos depois, se casaria e constituiria sua família. Eu, aos 29 anos, passaria também a constituir a minha.

Não quero expor detalhes da vida da minha família, mas quero mostrar que, apesar de declararmos ter uma fé cristã, não críamos verdadeiramente. E é ai que surgem duas palavras que marcam a importante diferença de se ter e de se agir.

Na língua portuguesa, “Fé” é uma palavra classificada como substantivo, o qual representa algo (pessoa, animal e coisas). “Crer” é uma palavra classificada como verbo, o qual representa uma ação, estado ou fenômeno da natureza.

Dizer que temos uma fé é fácil, mesmo porque foi Deus quem nos deu a todos uma medida, conforme Romanos 12:3: … conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um.”. Até aqueles que dizem não ter fé, na verdade se apoiam em uma convicção: acreditando que Deus não existe, negando a veracidade da sua Palavra, e demonstrando que se apoiam em uma certeza, sobre aquilo que não se pode ver, conforme Hebreus 11:1: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem.”.

Porém a nossa vida não é somente declarar uma fé, mas principalmente crer, ou seja, colocar a fé em ação. Em Atos 16:31, Paulo e Silas nos ensinaram como fazer isso, falando: “E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa. “. E foi exatamente o que a mulher fez, ao perceber que havia perdido um bem precioso em sua casa, realizando três coisas:

  1. Acendendo a candeia: com a ajuda de uma espécie de lamparina a óleo, trouxe a luz para enxergar melhor, aquilo que estava na escuridão. Em Salmos 119:105, temos: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho.”, mostrando que para buscar um “valor” perdido nas trevas em nossa casa, temos sempre que recorrer à luz da Palavra de Deus, que nos fornece o caminho certo para aquilo que buscamos.
  2. Varrer a casa: nossa casa fica suja, quando a poeira do mundo exterior, em suspensão no ar, se assenta no chão, e a deixamos acumular, não a removendo, ou simplesmente varrendo. Nossas casas não são bolhas herméticas, onde nenhuma sujeira entra. Quando abrimos as janelas, as portas, esta poeira entra e se acumula. Em I Coríntios 6:12, Paulo escreve:” Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.”, mostrando que há muita coisa lícita no mundo, permitida pela lei dos homens, que não convém permitir que se assentem em nossas casas, encobrindo nossos bens valorosos, fazendo-os que se percam.
  3. Buscar com diligência até achar: se percebermos que algo valioso em nossa vida se perdeu, jamais devemos deixar de buscar até reencontrá-lo. Um casamento que está se acabando, a luz da Palavra em Marcos 10:7-9, encontramos: “Por isso, deixará o homem a seu pai e a sua mãe e unir-se-á a sua mulher. E serão os dois uma só carne e, assim, já não serão dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou, não o separe o homem. “. Um filho que esta perdido no mundo, jamais deve ser abandonado pelos seus pais, pois em Salmos 127:3, a Palavra de Deus nos fala: “Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre, o seu galardão. “.

Assim, amado leitor, qual a recompensa de buscarmos as nossas dracmas perdidas? Nos versículos 9 e 10, a Palavra de Deus nos garante que, além da alegria que estaremos trazendo para a nossa casa, os céus se alegrarão por ter mais um salvo “… no último Dia”.

Fonte da Imagem: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Brooklyn_Museum_-_The_Lost_Drachma_(La_drachme_perdue)_-_James_Tissot_-_overall.jpg (2016)

Fique na Paz do Senhor!

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