Mateus 25
29 Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver, até o que tem ser-lhe-á tirado. 30 Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de dentes.
A mensagem que estudaremos, é parte da conhecida “Parábola dos Dez Talentos” e, antes de entrarmos no seu entendimento, vamos compreender por que Jesus falava em parábolas.
Em Mateus 13:10-17, o próprio Jesus explica: “E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas? Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; porque àquele que tem se dará, e terá em abundância; mas aquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. Por isso, lhes falo por parábolas, porque eles, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem, nem compreendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis e, vendo, vereis, mas não percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, e ouviu de mau grado com seus ouvidos e fechou os olhos, para que não veja com os olhos, e ouça com os ouvidos, e compreenda com o coração, e se converta, e eu o cure. Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque veem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes e não o viram, e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram.”.
O que parece de início é que Jesus falava em parábolas para dificultar a compreensão das pessoas, mas tudo indica que Ele falava em parábolas para provocar o interesse dos ouvintes.
No Antigo Testamento, o povo de Deus, por muitos momentos endureceu o seu coração, tapou os seus ouvidos ao que os profetas diziam e fechavam os seus olhos aos grandes feitos do Senhor.
Com a vinda de Cristo ao mundo, seus discípulos tiveram o privilégio de ver com seus próprios olhos os milagres de Jesus e ouviram da sua própria boca os ensinamentos sobre os mistérios do Reino dos céus.
Hoje em dia, para nós não é diferente. Temos a oportunidade que os discípulos de Jesus tiveram, conhecendo os mistérios do Reino dos céus através do Evangelho que Cristo deixou, e ver os seus milagres, para aqueles que acreditam que Jesus é vivo e ainda atua em nossos tempos. Mas também ainda encontramos muitos que, mesmo vendo e ouvindo, não conseguem compreender, porque seus corações estão endurecidos. E é ai que podemos compreender a mensagem da “Parábola dos Dez Talentos”.
Em Mateus 25:14-15, Jesus conta: “Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens, e a um deu cinco talentos, e a outro, dois, e a outro, um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe.“. Aqui Ele compara o Reino dos céus com o reino de um senhor, que viaja por um longo tempo para fora de sua terra, mas deixa seus bens para seus servos administrarem. Apenas para se ter uma ideia do valor dos seus bens, um talento de prata equivalia a 6.000 denários. Um denário era o salário de um dia de trabalho. Portanto, cinco talentos equivaliam a 30.000 dias de trabalho, ou seja, mais de 80 anos de trabalho. Mesmo para o servo que recebeu apenas um talento, era uma quantia muito grande.
Durante a ausência do senhor, veja em o que cada servo fez nos versículos de 16 a 18: “E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles e granjeou outros cinco talentos. Da mesma sorte, o que recebera dois granjeou também outros dois. Mas o que recebera um foi, e cavou na terra, e escondeu o dinheiro do seu senhor. “.
Quando o senhor retornou da sua viagem, foi prestar contas a cada servo dos seus bens. O resultado podemos ver nos versículos 20 e 21: “Então, aproximou-se o que recebera cinco talentos e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei com eles. E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.“.
Para o servo que recebeu dois talentos, o resultado foi semelhante, pois este multiplicou em mais dois talentos e o seu senhor se alegrou por isso, mas para o servo que recebeu apenas um talento, veja o que aconteceu nos versículos 24 a 28: “Mas, chegando também o que recebera um talento disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; e, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabes que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei; devias, então, ter dado o meu dinheiro aos banqueiros, e, quando eu viesse, receberia o que é meu com os juros. Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem os dez talentos.“. Este, mesmo conhecendo o seu senhor, julgou erroneamente o que ele esperava que fizesse com o talento, e por medo de perder o que lhe fora confiado, foi negligente, ou seja, nem teve o cuidado de ao menos mantê-lo valorizado.
Mas qual é o ensinamento que podemos tirar desta parábola? O senhor da parábola é o Nosso Senhor Jesus Cristo, que ao partir deste mundo, deixou-nos seus talentos, que é o conhecimento dos mistérios do Reino dos céus, revelado através do seu Evangelho. A cada um foi dada uma certa quantidade, segundo a sua capacidade, para que fosse multiplicada e não guardada para si. Este conhecimento, semelhante aos talentos da parábola, tem um grande valor, mesmo para aquele que recebeu uma quantidade menor.
Semelhante ao senhor, Jesus um dia ira voltar e prestará contas dos seus talentos e julgará a cada um, segundo suas obras, como vemos em Mateus 16:27:28: “Porque o Filho do Homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e, então, dará a cada um segundo as suas obras. Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a morte até que vejam vir o Filho do Homem no seu Reino.”.
Neste dia, aqueles que foram maus servos e negligentes com os bens do Senhor, estes sim perderão tudo o que receberam e serão lançados para as trevas, que é o distanciamento de Deus, chorando e rangendo os dentes de arrependimento, por toda a eternidade.
Agora, aqueles que foram bons servos e souberam multiplicar os talentos recebidos, receberão o maior tesouro que é não provar a morte, ou seja, a separação definitiva de Deus, mas sim, sua presença para sempre.
Fiquem na Paz do Senhor!
