I Coríntios 5
2 Estais inchados e nem ao menos vos entristecestes, por não ter sido dentre vós tirado quem cometeu tal ação.
Falar de questões de conduta e comportamento exige certamente uma posição moral que o permite fazer, e o apóstolo Paulo, nesta passagem de uma de suas cartas a igreja de Corinto, tinha esta posição, pois era dirigido não pelo seu julgamento, mas sim pelo Espirito Santo de Deus.
Certamente não quero ter e nem tão pouco dar a parecer que tenho esta posição, mas sim levá-lo, meu caro leitor, a uma autorreflexão da sua conduta e comportamento, em sua vida.
O estudo da Palavra de Deus tem me levado constantemente a fazer esta autorreflexão e particularmente esta passagem mostrou-me fragilidades em que não só me prejudicam no convívio social, mas que principalmente demonstram o quanto tal comportamento e conduta são desaprovados por Deus.
Paulo estava exortando os cristãos da igreja de Corinto pela sua conduta de soberba entre eles mesmos. A igreja de Corinto foi tremendamente abençoada por Deus por bênçãos e dons espirituais, como vemos no primeiro capítulo de sua carta em I Coríntios 1:4-7: “Sempre dou graças ao meu Deus por vós pela graça de Deus que vos foi dada em Jesus Cristo. Porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento (como foi mesmo o testemunho de Cristo confirmado entre vós). De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo,“ e, por conta destas bênçãos espirituais, grupos de cristãos se sentiam superiores frentes aos demais irmãos. Além destas divisões, havia também problemas doutrinários, onde determinados grupos não aceitavam os ensinamentos que Paulo havia deixado na fundação desta igreja. Por fim, havia também problemas morais, um deles de grande gravidade, mencionado em I Coríntios 5:1: “Geralmente, se ouve que há entre vós fornicação e fornicação tal, qual nem ainda entre os gentios, como é haver quem abuse da mulher de seu pai.”.
Dentro da própria igreja havia um caso de um homem que mantinha relações com a sua madrasta e, que era de conhecimento de muitos, mas estes não tomavam nenhuma atitude para repreender e corrigir este desvio de conduta. Estavam tão inchados, envaidecidos, que nem ao menos se entristeciam com o ocorrido.
Ai talvez, você meu caro leitor, fale: “Mas o que eu tenho a ver com a vida dos outros?” e a questão não é se intrometer na vida dos outros, mas sim ver uma situação moralmente errada, condenada por Deus e simplesmente ignorá-la. A questão não é repreender o pecador, mas sim o pecado. Uso das palavras de Tomás de Aquino que fala que: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é negá-la.”. E foi exatamente o que Paulo fez: ele defendeu a verdade, sentenciando o homem, como descrito em I Coríntios 5:3-5: “Eu, na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já determinei, como se estivesse presente, que o que tal ato praticou, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo, seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus.“.
A sentença não determinava a morte física do homem, mas sim a destruição da obra da carne, para que ele viesse ao arrependimento, e a rendição do seu espírito. Nós temos um exemplo muito claro das consequências de nossas condutas e comportamentos, mesmo achando que somos tementes a Deus, mas que às vezes não percebemos alguns desvios. Este exemplo foi Jó e vejam quem era este homem em Jó 1:4: “Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e este era homem sincero, reto e temente a Deus; e desviava-se do mal. E nasceram-lhe sete filhos e três filhas. E era o seu gado sete mil ovelhas, e três mil camelos, e quinhentas juntas de bois, e quinhentas jumentas; era também muitíssima a gente ao seu serviço, de maneira que este homem era maior do que todos os do Oriente. E iam seus filhos e faziam banquetes em casa de cada um no seu dia; e enviavam e convidavam as suas três irmãs a comerem e beberem com eles”.
Aos olhos do mundo, Jó não tinha nada que o desaprovasse perante Deus, era tremendamente abençoado em sua vida, mas ele tinha medo de perder tudo o que Deus lhe dera, como podemos ver em Jó 3:25-26: “Por que o que eu temia me veio, e o que receava me aconteceu? Nunca estive descansado, nem sosseguei, nem repousei, mas veio sobre mim a perturbação.“, e foi o que aconteceu. Deus permitiu que Satanás tirasse sua riqueza, sua família, sua saúde para demonstrar o quanto ele era fiel. Jó experimentou a destruição da obra da carne, para não perder a sua salvação, semelhante à sentença de Paulo na igreja de Corinto, mas ele manteve-se fiel a Deus e tudo lhe foi restituído em dobro.
Mas onde quero chegar com isso? Quero mostrar a importância constante de vigiarmos nossa conduta e comportamento, para identificar possíveis desvios que possam nos levar a separação de Deus. Nesta mensagem fala especificamente da soberba, arrogância e vaidade, desvios estes de conduta e comportamento tremendamente reprovados por Deus. Podemos comprovar isto em I Coríntios 1:27-29: “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele.”.
E como Deus espera que sejamos? Para isto gosto de mostrar o ensinamento de Jesus quando lavou os pés de seus discípulos em João 13:14-17: “Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou. Se sabeis essas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.”. Aqui Jesus não estava dizendo que deveríamos lavar os pés de uns aos outros, mas sim demonstrar humildade, primeiramente a Deus, nossa disposição a serví-lO, reconhecermos a nossa total dependência dEle e depois, nos mostrarmos sempre dispostos a ajudar o nosso próximo, como no caso da igreja de Corinto, onde Paulo não exortava os cristãos a saírem punindo os que estavam no erro, mas sim ajudando-os a se arrepender dos seus erros e voltar ao caminho da salvação.
Deixo no final esta mensagem de esperança que Cristo nos deu em Mateus 5:3: “Bem-aventurados os pobres de espírito (humildes de coração), porque deles é o Reino dos céus;”.
Fiquem na Paz do Senhor!
